Paradinha no Penalti – Pode ou não pode ?
Outro dia postei aqui que o penalti agora tem outra funçao. Antes, servia para fazer Gol. Agora, para dar moral aos jogadores com moral baixa ou celebrar o número de jogos de um jogador pelo seu clube.
Agora, estamos assistindo aos penaltis que são executados, em sua grande maioria, com a paradinha. Aliás, com as paradinhas! Isso porque, atualmente é possível assistir ás várias modalidades e performances das paradinhas.
Vejamos!! É sábido que o penalti, o tiro direto da grande área, foi criado para punir o time adversário que, com falta, tenta impedir o Gol – ápice do espetáculo chamado futebol. Então, se a paradinha existe para favorecer o batedor e com isso aumentar as chances de se converter em gol, por que impedir ou criticar a paradinha ?
Viva a paradinha !!




É o seguinte, pessoal: atualmente está em discussão o pênalti e a forma de cobrá-lo, na maioria das vezes, – agora está na moda! -, com a famigerada “paradinha”. Como sempre ocorre nesses casos, alguém aparece como pai da idéia. Dizem uns, foi fulano; outros, foi cicrano; outros mais, foi beltrano. Não há unanimidade, mas a maioria atribui a Pelé, que a consagrou no momento histórico do seu “milésimo gol” contra o Andrada, do Vasco, em 1969.
Embora tenha sido Pelé quem a popularizou, não concordo que tenha sido ele quem primeiro utilizou essa enervante reticência. Tenho firmes convicções de que ele se inspirou em alguém não menos famoso que ele próprio: Beethoven. Há algum tempo, numa entrevista, ele demonstrou alguma familiaridade com esse gênio da música. A certa altura, quando lhe inquiriram sobre o aparecimento de um novo “Pelé”, ele declarou: “Olha, Beethoven só existiu um, portanto, “Pelé”, também, eu creio que só existirá um!”
Isto me levou a pensar que ele deve conhecer a sua obra, pelo menos dentre as composições mais populares, e, assim, com certeza, deve ter assistido à 5ª. Sinfonia que é onde vamos encontrar a “original” paradinha e que deve ter, definitivamente, inspirado o nosso “rei”!
Essa sinfonia, que, para alguns críticos, é o que melhor reflete a sua genialidade, é “música absoluta”, – e quem sou eu pra discordar? – também conhecida como a Sinfonia do Destino, pelo sentido simbólico revelado nas suas notas iniciais: sol / sol / sol / mi bemol (nota mais longa), como se o destino, ou alguém, batesse à sua porta: toc, toc, toc, tooooc! Gosto é algo muito pessoal, e, embora goste dessa também e tudo da obra de Beethoven, se tivesse que escolher a melhor, preferiria a Nona!),
Retomando. O primeiro movimento que dura mais ou menos 8 minutos, dependendo da cadência que lhe imprimir o maestro, começa num envolvente “allegro com brio” de profunda dramaticidade, numa velocidade vertiginosa onde não sabemos ainda aonde nos leva, mas nos deixa perplexos e, ao mesmo tempo, ansiosos para logo alcançarmos o desconhecido. Mas, eis que de repente, algo inesperado acontece, precisamente aos 3min45seg, quando começamos a divisar algo novo, talvez o portal do Paraíso, o Mestre, inseguro com o que “vê”, dá uma parada, que não durou mais do que o tempo de uma semibreve, mas que para nós parece uma eternidade, que nos faz sentir como uma criança agarrada ao braço do pai que, por um instante a abandona, o que a leva a pensar: “E agora?” Mas, é salva logo em seguida, e, assim, toda a paz volta a nos envolver.
Quem já viveu esse momento sublime, embora momentaneamente angustiante, pode entender a agonia vivida pelo goleiro no momento da “paradinha” que não dura mais do que o tempo de uma semibreve, mas que para ele parece uma eternidade.
Meu irmão que tanta retórica tupiniquim é essa?