Esse texto foi escrito pelo Arthur Muhlenberg e publicado no Jornal Lance de 1 de novembro de 2009, edição 4.366 do ano 12.
Arthur é RubroNegro, Publicitário, Blogueiro e Membro do Conselho Deliberativo do Clube de Regatas do Flamengo e autor do livro ” Manual do Rubro-Negrismo Racional ” .
Para saber mais sobre o Arthur, visite o Urublog e divirta-sehttp://colunas.globoesporte.com/arthurmuhlenberg/
Compartilho esse texto com os amigos do Activo, pois deve ser lido por toda Nação RubroNegra, bem como todos os demais torcedores. Se você deseja mudanças no Futebol, elas passam obrigatoriamente pela relação Clube e Torcida, em outras palavras, Fornecedor e Consumidor. Tenho 100% de afinidade e concordancia com a mensagem contida no texto do Arthur, pois gosto do Flamengo apaixonadamente dentro das quatro linhas e racionalmente fora delas. Esse é um texto que causa na gente aquela sensação de ” Era o texto que eu gostaria de ter escrito ” . Vale lembrar que o mesmo foi autorizado pelo próprio Arthur para que fosse reproduzido 100% por aqui! Foi iniciativa minha pedir-lhe a permissão para publica-lo e dividir com o máximo de rubro-negros possíveis.
Constituinte Rubro-Negra: O novo Presidente precisará rentabilizar os 35 milhões de torcedores
É indiscutível que a eleição do Flamengo do dia 7 de dezembro é a mais importante dos 114 anos do Clube. Não apenas pela necessidade premente do maior clube do Brasil se adequar ao século 21, através da implementação do regime que desde 1936 é restrito a alguns atletas olímpicos e aos profissionais do futebol. Mas, principalmente, porque o mandato do próximo presidente coincidirá com os preparativos para os dois maiores eventos esportivos da História do país, a Copa do Mundo e a Olimpíada.
Ai do clube que não tiver dirigentes preparados para se beneficiar da caudalosa corrente de investimentos públicos e privados que irrigará não só os combalidos cofres dos clubes, mas também a árida política nacional de esportes. Para tal é preciso que o dirigente esteja qualidficado para lidar em igualdade de condições tanto com o poder público quanto com os demais ” players ” do bilionário mercado de esportes e entretenimento (que a cada dia são mais a mesma coisa). E clubes como o Flamengo, que além de popular é também um formador de atletas, tem responsabilidade redobrada nessa questão.
O Flamengo precisaoxigenar e renovar seu quador social. Para tanto se faz urgente uma profunda modernização da sede social da Gávea, hoje incapaz de atrair até mesmo os velhos sócios, imaginem os novos. Também é fundamental que o Flamengo seja capaz de rentabilizar a sua joia mais preciosa, a torcida, contingente de 35 milhões de consumidores que até hoje nunca foi devidamente explorado. Para isso é preciso implantar métodos de marketing e gerenciamento compatíveis com o mercado, o que implica em mudança no já ultrapassado estatuto de 1992. Mudanças no estatuto que demandam uma formidável articulação política.
Resumindo, o caderno de obrigações do próximo presidente do Flamengo requer uma abordagem pra lá de profissional. É mais do que evidente que a situação do Flamengo exige muito mais do que a condição de amador e dirigente voluntário tem a oferecer.
Enquanto sócio e torcedor, me agrada imaginar a idéia de que os seis candidatos remanescentes pudessem firmar um pacto em torno de um nobre compromisso: a reforma estatutária do Flamengo. A mudança que permitirá a modernização da gestão.
Sem um novo estatuto não haverá implantação de unidades autônomas para gerir o futebol, o remo, os esportes olímpicos e a parte social, dirigidas pro profissionais recrutados no mercado, com metas a cumprir e prêmios por desempenho. Sem um novo estatuto não haverá como o Flamengo se adequar à nova Lei das Sociedades. Consequentemente, o Flamengo se afastará ainda mais das verbas federais de incentivo e continuará a perder espaço para os clubes com gestão empresarial. E estes são apenas dois itens da imensa lista de vantagens que o Flamengo abre mão em função do arcaísmo de sua lei maior.
Sob essa perspectiva, a próxima eleição assume um caráter ainda mais dramático e decisivo. Eleger o próximo presidente será o equivalente a eleger uma assembleia constituinte para definir o futuro do Clube de Regatas do Flamengo. Os niveis de absenteísmo observados no pleito de 2006 são simplesmente inadmissíveis. Espera-se que os cerca de 5.600 associados em condições de votar atentem para a importância desse momento e exerçam seu direito. Ou melhor, que cumpram seu dever. E votem.

Constituinte Rubro-Negra por Arthur Muhlenberg




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